segunda-feira, 18 de maio de 2015

RESENHA: João Calvino - 500 anos – Introdução ao seu Pensamento e Obra


Resenha: Reverendo Márcio Willian
            Introdução
            O livro “João Calvino 500 anos – Introdução ao seu Pensamento e Obra”, foi escrito pelo Dr. Herminsten Maia Pereira da Costa, que é ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil, autor de vários livros, tais como: A Inspiração e Inerrância das Escrituras; O Pai Nosso; Raízes da Teologia e outros. É professor de Teologia Sistemática no Seminário Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição e Diretor da Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ele felizmente escreveu esse livro como fruto de suas pesquisas nos vários anos como professor e estudante da vida e obra de João Calvino.
            Esse livro tem uma grande relevância para o meio reformado devido ao interesse progressivo de uma nova geração de crentes por doutrinas da graça. Temos presenciado uma grande procura pelas doutrinas reformadas no meio pentecostal e neo pentecostal. Portanto, esse livro não servirá apenas para os reformados nominalmente, mas para todos os crentes de variadas denominações que Deus tem movido para conhecer essas verdades bíblicas.
            O nome de João Calvino é muito mal compreendido por alguns meios e quase idolatrado por outros. Ele geralmente é visto apenas como um teólogo da Reforma, mas não como um piedoso pregador e dedicado servo de Cristo. Esse livro esclarece e mostra aspectos da vida de Calvino que é desconhecida por muitos. O autor de forma eficiente e dedicada consegue cativar o leitor e transportar o mesmo para a época de João Calvino, levando a edificação e adoração ao Senhor Jesus.
            O Dr. Herminsten expõe bem as questões relacionadas a vida e obra de Calvino. Como ele foi formado e trabalhado por Deus para ser usado no Reino de Cristo. O autor vai discorrer  como Calvino enxergava os seguintes aspectos: Suficiência das Escrituras (páginas 65-128); a eleição divina (páginas 135-188); O homem como imagem e semelhança de Deus (páginas 191-220); A Espiritualidade (páginas 225—279); O culto (páginas 285-322); A educação (páginas 325-345); A ética Social (páginas 347-363); A Ciência (páginas 367-389). Abrange as áreas de maior importância citando fontes primárias e secundárias importantes para comprovar suas abordagens.
            Faremos citações e comentários objetivos de cada capítulo, abordando uma visão geral do livro, com o máximo de fidelidade ao propósito do autor.
1.       O Contexto Histórico da Reforma Protestante
            O autor apresenta um panorama do contexto da pré-reforma[1],  passando pelo papado antes do século XVI, demonstrando o paganismo Greco-romano e expondo os conflitos existenciais do povo nesse período, onde havia um cenário preparado providencialmente para o surgimento da Reforma Protestante.
            Ele apresenta a ação da Reforma e Renascença no mesmo palco histórico e suas diferenças, ao dizer: “Ainda que a Reforma e a Renascença tivessem coincido na história e também tratado dos mesmos problemas básicos, as suas respostas foram completamente diferentes”.[2] Sem duvida os pressupostos da Renascença eram completamente opostos aos da Reforma, no primeiro o Homem é o Centro, no segundo Cristo é o Centro. Logo, os resultados e propósitos são completamente diferentes.
            Ao falar da Reforma e as Escrituras, ele mostra que Calvino valorizava a centralidade das Escrituras. Foi uma busca intensa de Calvino sempre, centralizar as Escrituras na vida e culto do povo de Deus. [3] Para João Calvino a Escritura era o cetro que Cristo usava para governar seu Reino, a Igreja.
2.       O Trabalhar de Deus na Formação de Calvino
O autor nos oferece informações importantes sobre a formação de Calvino, como o academicismo humanista serviu providencialmente para a preparação intelectual desse grande reformador.[4] Os conhecimentos adquiridos forma no futuro usados pelo Espírito Santo para o ajudar na compreensão teológica das Escrituras e desenvolver raciocínios tão logicamente fundamentados na Bíblia.
            A conversão de Calvino é escassa de informações quando e como aconteceu, contudo, algumas citações de escritos dele são feitas no propósito de colher informações que somadas ajudam a descobrir um pouco mais sobre esse assunto. [5]
O autor demonstra o papel do renascentismo e a imprensa como contribuídores da Reforma Protestante, até uma certa medida. O anseio dos renascentistas de superar a literatura grega foi extremamente forte nesse período, tendo em vista a facilidade proporcionada pela invenção da imprensa. Os catedráticos eram extremamente valorizados e por isso havia competições entre eles para ocupar cargos de acadêmicos. O renascentismo defendeu a centralidade no homem, o que tornou posteriormente um fracasso. Calvino era um genuíno humanista por que estava interessado no homem, obviamente do ponto de vista bíblico.
Algo que também nos chama a atenção é a preocupação de Calvino com a unidade da igreja. O Dr. Herminsten escreve sobre esse reformador, deixando bem claro essa visão bíblica e piedosa: “Calvino entendia que Satanás, muitas vezes, se vale de nossos bons sentimentos para fazer que quebremos a unidade da igreja , supostamente em busca de uma igreja ideal.” [6]Em um tempo que tantas igrejas surgem por questões mais banais possíveis, tornar-se imperativo expor essa declaração de Calvino.
3.       A Centralidade das Escrituras na Vida da Igreja
Atualmente a igreja evangélica tem vegetado espiritualmente por causa da ausência das Escrituras no culto e na vida eclesiástica. A pregação bíblica tem sido progressivamente abandonada, e em seu lugar têm surgido mensagens de autoajuda e misticismos. A declaração que Calvino faz com respeito a importância das Escrituras é fundamental para nortear a igreja do século XXI:
“Visto que a igreja é o reino de Cristo, e ele não reina senão por sua Palavra, continuamos duvidando de que são mentirosas as palavras daqueles que imaginam o reino de Cristo sem o seu cetro, quer dizer, sem a sua santa palavra?”[7]
            Nada é mais importante para a Igreja do que ser governada pela Palavra de Cristo, que é o seu Cetro.  Calvino lutou com todas as suas forças para ser um expositor fiel das Escrituras e reformar a Igreja pela Palavra de Deus e não por estratégias humanas ou misticismos.
            Em toda época surgem os mesmos conceitos errados teologicamente com nomes diferentes. No período da Reforma surgiram os “iluminados”, nome dado por Lutero e Zwickau. Eles defendiam que tinham revelações especiais vindas diretamente de Deus, entendendo terem sido chamados por Deus para “completar a Reforma”. Defendiam uma escatologia completamente distante das Escrituras e combatiam o estudo da teologia como sendo algo contrário a espiritualidade.
            Homens como Lutero e os demais reformadores defendiam “Sola Scriptura”, como sendo a única autoridade infalível dentro da Igreja. [8] Todos os catecismos e confissões reformadas enfatizavam a centralidade e autoridade final das Escrituras para a Igreja de Cristo. Como citamos antes a declaração de Calvino, a Escritura é o cetro de Cristo, pelo qual governa a Igreja.
            Por outro lado, Calvino também declara com relação ao conhecimento das Escrituras:  “Somos seres humanos, e é preciso que observemos sempre as limitações de nosso conhecimento, e não as ultrapassemos, pois tal gesto seria usurpar as prerrogativas divinas.” [9]Algo que nos chama a atenção em Calvino é sua humildade e prudência. Não fazia declarações infundadas biblicamente e nem ousava confiar em sua razão. Sabia que tinha limitações e precisava estudar cada vez mais a Palavra de Deus, submetendo todo o seu conhecimento aos pés de Cristo.
            Quando o autor trata nesse capítulo três sobre a “Fidelidade do ministro” expõe com propriedade o pensamento de Calvino a esse respeito:
“A Palavra de Deus é o conteúdo da mensagem do ministro. Quando ensinamos a Palavra com fidelidade, nada acrescentando ou omitindo, podemos ter a certeza de que nossa mensagem não se distingue da própria Palavra de Deus.”[10]
            Em outro lugar ele cita uma importante perspectiva de William Wileman  com relação a seriedade do ministério pastoral de Calvino: “Como expositor da Escritura, a Palavra de Deus era tão sagrada para ele como se a tivesse ouvido dos lábios de seu Autor.”[11]
            Calvino defendia que todo o oficio do ministro gira em torno da Palavra de Deus. Tudo que um ministro faz, pensa, executa na igreja deve estar envolvida pela Escritura. Como isso é importante para os nossos dias? Precisamos resgatar essas verdades perdidas em tantos púlpitos espalhados pela nossa nação! Calvino afirma que “mestre é aquele que forma e instrui a igreja na Palavra da verdade.” E diz mais o seguinte a esse respeito: “O alvo de um bom mestre deve ser sempre converter os homens do mundo para que voltem seus olhos para o céu.”[12] Não poderíamos deixar de citar mais essa declaração encorajadora e edificante de Calvino: “Nossa maior meta, no entanto, deve consistir em sermos fiéis ministros de Cristo na edificação da igreja, por meio do ensino da Palavra.”[13]
            Essas convicções de Calvino servem como um estímulo para todo ministro reformado a defender com todas as forças a centralidade das Escrituras. Ao mesmo nos envergonha diante de tanta firmeza, piedade e ousadia! O ministério desse reformador era marcado pela centralidade e suficiência das Escrituras.
4.       A Eleição
            O assunto pelo qual Calvino é mais conhecido, citado, criticado, é a da predestinação ou eleição divina. Mas nesse capitulo o Dr. Herminsten trata de uma forma edificante e didática que ajuda bastante o leitor sincero a compreender a visão de Calvino sobre o assunto. Tentaremos citar as principais declarações nesse capítulo e fazer algumas avaliações e compreensões das mesmas.
            O autor cita McGrath que faz o seguinte comentário da posição de Calvino sobre a predestinação:
“A crença na predestinação não é uma questão de fé em si mesma, mas representa o resultado final de uma reflexão, informada pelas Escrituras, a respeito dos efeitos da graça sobre os indivíduos, à luz dos enigmas da experiência. A experiência ensina que Deus não toca todo o coração humano.”[14]
            O que ele mostra é que a própria humanidade testifica que nem todos serão salvos, por uma obviedade, nem todos creem! Embora saibamos que a experiência não existe para interpretar a Bíblia, mas a Bíblia para interpretar a experiência.
O autor em seguida vai trabalhar biblicamente a doutrina da eleição no Antigo Testamento e Novo Testamento. Mostrando as várias escolhas dos homens[15] e determinações de Deus não somente para salvação para funções e execuções.
Depois o autor aborda algumas questões teológicas sobre a eleição. Mostra que Deus não sofre nenhum tipo de constrangimento no exercício da escolha e execução dessa escolha.[16]
Calvino disse: “A eleição tem um sentido escatológico: é da eternidade para a eternidade em santificação, até que nossa salvação seja consumada na glorificação.”[17]  E Bavinck também expressa sobre o assunto: “O propósito da eleição é a criação de um organismo, Isto é, redenção, renovação e glorificação de uma humanidade regenerada que proclame as excelências de Deus e leve seu nome sobre sua testa.”[18] Spurgeon disse: “Desconheço qualquer outra coisa que nos possa humilhar tão profundamente quanto a doutrina bíblica da eleição (...). Aquele que se sente orgulhoso de sua eleição é porque não é um dos eleitos do Senhor.”[19]
5.       A Imagem de Deus no Homem
            Calvino como humanista  teve uma visão moldada pela Escritura, unindo seu conhecimento e formação humanista e interpretando-a pela Palavra de Deus. A Idade Média pretendia ter Deus no Centro; a Renascença o homem no centro; o iluminismo a razão no centro; a pós-modernidade sem centro. A história é marcada de mudanças devido as muitas frustrações da razão humana. Mas em Calvino vemos uma firmeza em entender o devido lugar do homem na criação de Deus.
            A Reforma foi revolucionária porquanto se apartou tanto do Humanismo católico-romano como do secular. Mas adiante Dr. Herminsten cita F. Schaeffer; “Enquanto a Renascença se concentrava no homem em sua autonomia, a Reforma concentrava-se no Deus infinito e pessoal que falava com eles por meio da Bíblia.”[20]
             No pensamento de Calvino, um possível dilema entre o antropocentrismo e o teocentrismo. Entre a natureza do homem e o Deus soberano, temos a Palavra de Deus, concedida por ele, para que o conheçamos e nos conheçamos. Calvino diz: “O mundo foi originalmente criado para este propósito, que todas as partes dele se destinem à felicidade do homem como seu grande objeto.”[21]
            Calvino assim definiu imagem de Deus:
“Havia uma adaptação das várias partes da alma, que correspondia a suas várias funções. Na mente, perfeita inteligência florescia e reinava, retidão assistia como sua parceira, e todos os sentidos eram preparados e moldados para a adequada obediência á razão; no corpo, havia uma adequada correspondência com essa ordem interna (...) Mas aqui a questão é referente àquela glória de Deus que peculiarmente brilha na natureza humana, onde a mente, a vontade e todos os sentidos representam a ordem divina.”[22]
6.      A Espiritualidade de João Calvino
            A piedade de Calvino poderia ser definida assim: “A verdadeira piedade consiste em um zelo puro e verdadeiro que ama a Deus totalmente como Pai, o reverencia verdadeiramente como Senhor, abraça a sua justiça e teme ofendê-lo mais que a própria morte.”[23] Calvino busca conciliar conhecimento com prática. Entendia que conhecer sem tornar isso prático não tinha nenhum sentido cristão.
             Para Calvino meditar nos Salmos era algo extremamente necessário e prazeroso. Ele dizia que os Salmos eram anatomia de todas as partes da alma.[24] Calvino declarava: “Não busquemos nossos próprios interesses, mas antes aquilo que compraz ao Senhor e contribui para promover sua glória.”[25] Ainda afirma sobre a oração: “Devemos manter firme o principio de que não podemos orar a Deus apropriadamente senão formos persuadidos pela certeza de nossos corações de que ele é nosso Pai quando o invocamos como tal.”[26]
            A visão de espiritualidade de Calvino influenciou gerações e ainda influencia. Precisamos mais do que nunca desse alerta de harmonizar conhecimento teológico com vida de oração. É preciso ter culto na vida para quer tenha culto na igreja. Por isso, o presente livro ajuda muito na avaliação da nossa vida diante do Senhor.
7.        O Culto
            “Fomos eleitos por Deus na eternidade para que o adoremos. No culto, a igreja vivencia o propósito de sua eleição: o fim principal do homem é glorificar a Deus. A igreja é a comunidade de adoradores que se congrega para testemunhar publicamente os atos graciosos de Deus.”[27] Assim começa o capítulo sobre culto. Com essa ótica reformada que o autor irá desenvolver sua exposição sobre a visão de Calvino sobre Culto.
            Ele demonstra que o homem perdeu a dimensão do eterno e por isso trilha por atalhos que o máximo que podem fazer é anestesiar a alma. Fomos criados para adorar e gozar o Senhor eternamente! A filosofia, arte, filantropia e religião, são apenas paliativos que servem apenas socialmente e culturalmente, mas não alimentam a alma.[28]
            Culto é serviço prestado a Deus. Este serviço deve ser prestado conforme o Senhor determina em sua Palavra. Neste serviço prestado a Deus os sacramentos; batismo e Ceia, os cânticos espirituais, segundo Calvino devem todos harmonizar-se com as Escrituras, procedendo de corações quebrantados e contritos.
8.       A Reforma e a Educação
            Calvino dispunha de uma visão ampla da cultura, entendendo que Deus é Senhor de todas as coisas. Assim, toda verdade é verdade de Deus. Esta perspectiva ampara-se no conceito da “graça comum” ou “graça geral” de Deus. Portanto, em todas as ciências e artes temos expressões verdadeiras que sendo analisadas pelas Escrituras, podem edificar a nossa vida e serem úteis para o nosso crescimento na fé e compreensão do cosmo.
            Com esta perspectiva, Calvino na sua primeira permanência em Genebra procura melhorar as condições de ensino e posteriormente cria formas gratuitas de ensino para as crianças carentes. Logo, Calvino é o precursor do ensino público.
9.       A ética Social de Calvino
            Calvino afirmou: “Se seguirmos fielmente nosso chamamento divino, receberemos o consolo de saber que não há trabalho insignificante ou nojento que não seja verdadeiramente respeitado e importante ante os olhos de Deus.” [29]Essa declaração resume a visão de Calvino sobre trabalho e ética.
10.   Calvinismo e Ciência
            Calvino era fascinado com as obras das mãos de Deus. Ele entendia que nelas podemos ver aspectos da glória de Deus, como diz o Salmo 19.1, sendo o homem o ponto mais magnífico desta gloria manifestada. Portanto, cabe ao homem apreciar e estudar a natureza, pois nela se reflete a sabedoria divina. Calvino declara: “Se os homens chegassem a um genuíno conhecimento de Deus, pela observação de suas obras, certamente que viriam a conhecer a Deus de forma sábia.”[30]
Conclusão
            Estudar sobre Calvino é desafiador e edificante. Pois se trata de um homem que unia o intelectualismo e a vida de oração e prática. Algo que tanto precisamos em nossos dias. Não basta ter conhecimento teológico, é necessário vive-las nos recônditos da nossa alma. Precisamos transpirar teologia em tudo que fazemos no cotidiano. Calvino nos desafia a viver assim e mostra que é possível marca a história da igreja com uma vida dedicada a glória de Deus.
            Ao terminar a leitura e avaliação desse precioso livro, nos tornamos mais conscientes da grande obra que temos diante de nós, tendo como grande incentivador vidas como a de Calvino, que olhou firmemente para o autor e consumador da nossa fé, Cristo Jesus (Hb. 12.1-3). Devemos lutar para ter uma perspectiva equilibrada pela Escritura como João Calvino teve, abordando todas as áreas da vida e não vivendo enclausurados no templo denominacional. O reino de Deus é muito maior que qualquer denominação e religiosidades, e por que devemos viver pra Ele, por Ele, porque todas as coisas são dEle! A Ele a glória eternamente, amém![31]
Terminaremos com essa feliz e verdadeira declaração: “O verdadeiro discípulo de Calvino só tem um caminho a seguir: não obedecer ao próprio Calvino, mas àquele que era o mestre de Calvino.”[32]



[1] pp.15-25
[2] pp.  21
[3]pp. 22-25
[4] pp. 27-33
[5] pp. 27-33
[6] p.59
[7] p.66
[8] p.70
[9] p. 106
[10] p.110
[11] p.111
[12] p.116
[13] p.119
[14] p.139
[15] p.141
[16] p. 150
[17] p. 163
[18] p.163
[19] p.174
[20] p.201
[21] p.204
[22] p.209
[23] p.227
[24] p.234
[25] p.236
[26] p.242
[27] p.285
[28] p.286
[29] p.350
[30] p. 387
[31] Romanos 11. 33-36
[32] p.399

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O QUE É MORAL?


O que é moral? É uma ação ou pensamento correto? Mas o que é correto ou certo para se pensar e praticar? É aquilo que não prejudica os outros, ainda que eu deseje fazer? Como declarou Baier sobre a moralidade: ...seguir regra designadas para suplantar o interesse próprio sempre que for interesse de todos igualmente que cada um ponha de lado o seu interesse pessoal.[1] Agora entendi, a moral é fazer o que é correto para a cultura e sociedade que vivo, deixando minhas convicções pessoais sobre a “moral” de lado, para que prevaleça o bem comum? Muito interessante!
Nesse raciocínio o que hoje é moralmente incorreto como: pedofilia, homicídio, estupro, roubo, furto, pode ser um dia moralmente correto? Isso dependerá do quanto a sociedade evoluir e quebrar seus paradigmas? Por isso, alguns universitários tem declarado que é correto colocar o conhecido “boa noite cinderela” na bebida das jovens e violenta-la coletivamente! Talvez por isso, muitos ativistas gays acham justificável pela causa que defendem beijar em ambientes religiosos, tirar a roupa, mostrar as genitais para as famílias tradicionais, como forma de protesto legitimo! Dentro da lógica apresentada acima de mudanças de avaliação da moral, será um avanço para a sociedade quando entender que tudo que “potencialmente a vontade” humana deseja deve ser vivida, como defendem os niilistas[2]?
Hoje a sociedade entende que pedofilia e estupro, é imoral, não é? Logo, se uma corrente filosófica e cientifica (porque a ciência tem se tornado cada vez mais sociológica) defender e convencer a maioria pela força manipuladora da mídia, que essas práticas são morais e benéficas as crianças e as mulheres, deveremos aceitar, porque pensar o contrário deles seria “um retrocesso”? Nesse caso, você teria que abrir mão dos critérios morais para aceitar como realidade e virtude a pedofilia e o estupro? Talvez você me ache exagerado nessa possibilidade de aceitação moral, mas diria que no mínimo você é desinformado sobre o que esta ocorrendo no mundo acadêmico do século XXI!
Como um filosofo disse: Se Deus está morto, podemos fazer qualquer coisa! Deus é o padrão de verdade e moral, sem ele não temos mais nada, só a nós mesmos! Podemos fazer qualquer coisa que desejarmos! Você já observou que o argumento de muitos ateus é que se Deus existisse não deixaria acontecer as catástrofes que ocorrem hoje, os acidentes, as doenças e assim por diante?! Ou seja, nesse argumento, Deus para ser Deus teria que sempre impedir a dor na vida humana! Contudo, Deus para ser Deus não pode estabelecer um padrão de moral para que julgue o meu padrão de moral! Veja que incoerente! Deus para ser crido pelo homem precisa impedir que ele sofra qualquer perda, qualquer dor, qualquer tristeza, mas nunca poderá interferir, julgar e estabelecer um padrão de verdade e moral para ele?
Você pode construir sua vida, sua moral, seu padrão de verdade sobre a palha que o vento dispersa (Sl 2.4), sob os rudimentos do mundo, com suas filosofias vãs (Cl 2. 8), ou sob Cristo, no qual habita corporalmente toda a plenitude divina (Cl 2.9)!
Crer que Deus existe não é suficiente para conhecê-lo, é necessário relacionar-se com Ele por meio da revelação que Ele faz de si mesmo, nas Escrituras e principalmente por meio da sua maior revelação, Cristo! Todavia, o que pretendi dizer com todos os argumentos aqui apresentados é que não necessitamos de nos sentir constrangidos intelectualmente diante dos “brilhantes” argumentos dos ateístas, porque não se trata de intelecto, mas sim de arrependimento e fé! Temos que ter a ousadia que Paulo teve no centro acadêmico da sua época, Atenas, onde defendeu com propriedade Jesus e a Ressurreição, mesmo que essa mensagem fosse tida como doutrina estranha, e ele visto como um tagarela (significa indigno de ser ouvido),  não se acovardou diante daqueles sábios gregos, mas apresentou com lógica e biblicidade o Evangelho e alguns creram e se arrependeram, outros zombaram (At 17. 16-34).

Reverendo Márcio Willian Chaveiro


[1] HUNNEX, 2001, p. 47
[2] O nielismno é a negação do “eu” por valores superiores. Grande influenciador desse pensamento foi Nietzsche, que entendia que o que vem a consciência é fruto da vontade pulsante, e não o contrário. Logo, o farol que ilumina o oceano é direcionado pela vontade e não pela consciência. 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

A LÓGICA ATEÍSTA IRREFUTÁVEL!


Os ateus modernos acham brilhante esse argumento que o desenho expressa sobre a fé na existência de Deus! Já li outras figuras que são utilizadas da mesma forma, que são até melhores que a bola de baseball, como o bule de chá que circunda a orbita do sol, ou a crença na existência do unicórnio, ou ainda do Papai Noel! Esse desenho retirei de um site ateu (ateus. Net) para exemplificar aqui o que mais frequentemente tem sido usado para argumentar contra a crença na existência de Deus. Para eles crer que Deus existe, seria o mesmo que afirmar que existe uma bola de baseball, mas ao ser perguntado onde ela está, você fica bravo, porque não a tem!
Primeiro aspecto que posso dizer é que a comparação de Deus com a Bola de baseball é totalmente inapropriada, porque? A Bola de baseball tem materialidade, sua forma é conhecida por todos, e no máximo esse garoto poderia ficar bravo por ter mentindo ao dizer que possui uma bola, e não que conhecia uma bola que ninguém jamais viu, sendo assim impossível qualquer tipo de definição exata dela! Ainda que o menino que perguntou sobre a existência da bola, não pudesse visualizar a suposta bola, certamente ele saberia tudo que necessário essencialmente para que tal objeto seja classificado como “bola de baseball”! Sua mente automaticamente conectou com uma imagem de uma bola, porque é algo conhecido e possivelmente utilizado por ele! Particularmente nunca vi uma bola de baseball, mas pelos filmes, posso deduzir todo o seu formato e estrutura!
Segundo aspecto, o garoto que alegou ter a bola e não a mostrou, ficou furioso porque mentiu sobre a posse dela! Sua ira não ocorreu porque ele imaginou uma “bola extraterreste” e acreditou na sua própria imaginação! Pessoas que mentem muito, ficam furiosas quando questionadas racionalmente sobre suas invenções, mas pessoas que tem certeza em suas convicções, não ficam iradas ao serem questionadas, porque são resolvidas internamente e sabem conversar com opiniões contrárias!
Terceiro aspecto, eu posso usar esse mesmo desenho para afirmar que é mais adequado aos ateus do que aos teístas! Como? Todo ateu alega ter as chaves do verdadeiro conhecimento cientifico, e tudo que ele acredita existir ou não existir, deve ser crido porque isso é uma evolução intelectual do homem sair do domínio religioso e ser independente e neutro no saber! Mas quando são questionados sob a racionalidade de suas pressuposições, normalmente não aceitam e nem querem parar para se auto avaliar e questionar sinceramente suas convicções. Muitos usam jargões: Sua afirmação que Deus existe não é baseado em fatos científicos, racionais, mas na fé em um livro escrito há milhares de anos! Quem é que fica realmente bravo por afirmar que tem a bola de baseball? Portanto, a bola de baseball caberia muito mais na comparação a ciência, do que a Deus!
Eu posso até imaginar se um ateu ler o que escrevi, qual seria sua colocação! Ele provavelmente diria:  - como posso afirmar que é possível conhecer uma pessoa que não podemos provar materialmente sua existência ou visualiza-la fisicamente? Conhecer algo ou uma pessoa tem muitas facetas, pode ser um conhecimento objetivo e subjetivo ao mesmo tempo, ou subjetivo, mas que se evidencia na realidade! A pergunta é simples, teríamos apenas sentidos físicos em nossa constituição? Ou só acreditamos nisso, porque a ciência só pode avaliar o que é físico e material? Se assim for, então, com quem se parece o primeiro menino mesmo? A ciência consegue enxergar fisicamente tudo que defende? Ela enxerga a vida? Ou ela vê as manifestações dela? Ela consegue materializar todos os conceitos científicos? Consegue ver a fisicalidade da matemática, da ética, da moral, da justiça, do bom senso, do bem e do mau? Ou ela não acredita em nada disso? Se acredita, qual é o padrão para dizer o que é cada uma dessas coisas? Não são apenas ideias, conceitos, reflexões, como elas podem ser visualizadas e experimentadas em laboratório, para se comprovar sua veracidade e realidade? Alguém diria, eu vejo as evidências de suas existências ou as manifestações que entendo serem procedentes dessas “ideias” ou “conceitos”! Certo, é o mesmo que penso sobre Deus! Se ele fosse encurralado pela ciência em um laboratório, ele não seria quem é, e eu seria um ateu devoto a mim mesmo!

Márcio Willian Chaveiro