quinta-feira, 20 de novembro de 2014

DEUS É SOBERANO OU SE ADAPTA A REALIDADE DO HOMEM?



 Existe uma grande resistência no meio evangélico para aceitar que Deus decretou todas as coisas, parte dessa resistência se dá devido a visão humanista que muitos crentes têm da Escritura, na realidade querem adequá-la aos seus pontos de vistas e com a cultura regente. Temos três opções com relação a Deus: 1. Ele reina soberanamente sobre todos os acontecimentos; 2. Ele não reina, se adapta a realidade e toma suas decisões de acordo com as decisões “livres” dos homens; 3. Deus reina e governa com base na sua “presciência”, tornando-o apenas com o poder de prever o futuro e com base nessa previsão, decretar todas as coisas. Naturalmente, defenderei a primeira opção, Deus é soberano e por isso reina sobre todas as coisas, fazendo com que sua vontade soberana e eterna seja cumprida na história. Crer em um Deus que não governa a história é viver na dimensão do medo e insegurança! Todavia, crer que Ele é absolutamente soberano é descansar e aquietar a alma, como diz o Salmo 46.10: Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra.  A teologia reformada calvinista enfatiza a soberania de Deus, porque acredita nas declarações bíblicas que Deus soberanamente determinou, desde a eternidade, tudo quanto há de suceder, e executa a Sua soberana vontade em sua criação toda, tanto a espiritual como a natural, de acordo com o seu plano predeterminado.[1]

            O teólogo Bavinck nos ensina que não temos uma descrição abstrata nas Escrituras desses decretos:
     A Escritura não nos oferece uma descrição abstrata desses decretos. Em vez disso, eles se tornam visíveis a nós no curso da própria História. Deus é o Senhor de toda a terra e demonstra seu senhorio dia após dia na criação, preservação e governo de todas as coisas. O mesmo é verdade sobre a eleição e a reprovação.[2]
           
Em conformidade com a declaração de Bavink, o teólogo Berkhof diz que os decretos divinos...Não são descritas abstratamente a Escritura, mas são colocadas diante de nós em sua concretização histórica...[3] A história, a luz das Escrituras, testemunham que Deus reina, governa conforme sua soberana vontade. Os relatos históricos da Bíblia mostram as ações soberanas de Deus, como tudo concorre para sua glória eterna!
Muitas linhas teológicas negam a soberania de Deus. Os arminianos pouco falam sobre decretos, comentam mais a doutrina da eleição.[4] Os liberais são deístas na prática, portanto, é inconcebível que defendam a ideia de um Deus absolutamente soberano. E os defensores da teologia relacional, creem em um Deus que se adapta as decisões dos homens e as circunstâncias. A igreja neo pentecostal desenvolve uma visão de um Deus servo, que atende as exigências com “fé” dos seus adoradores. Já os luteranos não falam muito sobre os decretos de Deus, comentam mais sobre a predestinação como sendo condicional, afirma Berkhof:
A teologia luterana é menos teológica e mais antropológica. Incoerentemente, ela toma seu ponto de partida em Deus e considera todas as coisas como divinamente predeterminadas, mas revela uma tendência para considerar as coisas de baixo para cima, e não de cima para baixo. E se até este ponto ela crê na predeterminação, inclina-se a limita-la ao bem que há no mundo, e mais particularmente às bênçãos da salvação.[5]

Quando os decretos são vistos de “baixo para cima” o homem sempre é enfatizado como livre demais para tomar suas decisões! Creio ser esta uma das causas de interpretações equivocadas com relação a soberania de Deus no meio cristão. Além, de uma fraca interpretação dos textos bíblicos que ensinam claramente a soberania do Senhor. A questão dos decretos se esbarra na questão da liberdade humana, o livre arbítrio. Pelágio[6], por exemplo, partia da ideia que Deus é bom e justo, e portanto, toda a criatura que Deus chamou à existência deve, por natureza, ser boa. Se isso é verdade, então essa natureza pode ser transformada em uma natureza má e corrompida. Essa defesa é especialmente aplicada ao livre arbítrio, o maior dom de Deus á humanidade, a verdadeira imagem de Deus, segundo ele.[7] Quando interpretamos as Escrituras do ponto de vista puramente filosófico e racionalista, limitamos Deus e divinizamos o homem.
Outro aspecto que é importante destacar incompreensão dos efeitos da Queda no homem. Se o homem não foi afetado pelo pecado e todos nascem bons como Adão, sendo corrompidos pelos maus exemplos, então existe muita coisa boa nele, com traços de maldade causados pelas circunstâncias, como os pelagianos entendem.[8] Se o homem foi danificado pelo pecado, mas ainda tem traços de bondade, pode ser despertado para servir a Deus, como os arminianos defendem. Contudo, se a Queda afetou todas a natureza humana, o homem não é capaz de escolher o bem, é escravo de si mesmo e portanto, não tem livre arbítrio após a Queda, como a fé reformada define.
O pensamento pelagiano está em plena conformidade com o nosso tempo! O raciocínio teológico de Pelágio era que a Queda não afetou o homem, todos nascem bons como Adão, sendo assim, são circunstâncias externas ou pessoas que dão mau exemplo e o corrompe. Se existe pessoas ruins que dão mau exemplo e o homem nasce bom, alguém no passado desenvolveu inicialmente a prática do pecado, para que outros fossem influenciados! Como explicar comportamentos de crianças que pouco tiveram contato com a realidade, que já revelam rebeldia, egoísmo e ira? De pessoas que foram criadas em ambientes saudáveis e se tornaram criminosos, psicopatas? Outras que cresceram em famílias criminosas, mas tornaram-se cidadãos honestos? Pelágio poderia dizer que tudo isso partiu da decisão livre da pessoa, se isso for verdade, existem pessoas mais capazes que outras, melhores que outras ou piores, porque conseguem tomar decisões contrárias ao “externo” que tanto as influencia, como defende essa teologia. Se as circunstâncias são tão influenciadoras sobre o homem, ele não é livre, é escravo do que o influencia! Essa visão se enquadra com a perspectiva do homem na pós modernidade. O homem é uma tabua rasa ao nascer e com o contato com a realidade vai se transformando, não tendo nada inato que o incline para o mal.
O decreto de Deus é o Seu plano ou propósito eterno, no qual preordenou todas as coisas que acontecem. Para o conteúdo concreto de Seu decreto Deus utilizou o conhecimento ilimitado que Ele tem de todas as espécies de coisas possíveis. Desse grande acervo de possibilidades reuniu em Seu decreto somente as que realmente acontecem. A inclusão delas no decreto não significa necessariamente que Ele mesmo as trará ativamente à existência, mas em alguns casos quer dizer que, com permissão divina e de acordo com o Seu plano, elas serão certamente realizadas por Suas criaturas racionais. O decreto de Deus com referência ao pecado é, portanto, permissivo.
A Confissão de Fé de Westminster no Capítulo III, I, afirma:
Desde toda a eternidade e pelo mui sábio e santo conselho de sua própria vontade, Deus ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou a contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.[9]
Não entrarei aqui a discussão da origem do mal e do pecado, por ser esse espaço insuficiente para tal discussão. No entanto, coloco algumas questões lógicas e bíblicas para sua reflexão: 1. Se o mal veio a existir espontaneamente, sem que tenha sido decretado por Deus, ele é uma força autônoma, igual a Deus no sentido inverso; 2. Se o mal tinha que existir para que fosse manifestada a graça e misericórdia de Deus, como o Senhor faria para que isso ocorresse sem que Ele fosse o agente do mal, pois não poderia ir contra sua natureza santa, não seria sábio que isso viesse ocorrer por meio de seres morais livres para tomar decisões contrárias sua natureza santa e perfeita, como fez Satanás e Adão? É o grande mistério do paradoxo: Soberania de Deus e a responsabilidade humana!
Qual é sua opinião sobre tudo isso? Você crê em um Deus que planejou na eternidade todas as coisas e sabiamente faz com que tudo aconteça conforme sua soberana vontade, para sua glória (Rm 11. 33-36)? Ou prefere imaginar um Deus que se adapta as suas decisões, que muda de opinião de acordo com as circunstâncias, sendo refém da história e não o seu autor? Pense nisso!
Reverendo Márcio Willian Chaveiro




[1] BERKHOF, 1998, p. 101
[2] BAVINCK, Herman Bavinck, Dogmática Reformada – Deus e a Criação, Volume 2, Cultura Cristã, 2012, p. 352
[3] BERKHOF, p. 102
[4] Ibid. p. 102
[5] BERKHOF, p.101
[6] Pelágio viveu em 405 d.C. e defendeu ardorosamente o livre arbítrio do homem, o que fez surgir após ele o conhecido pelagianismo.
[7] BAVINCK, 2012 p.357
[8] Ibid. p. 357
[9] Confissão de Fé de Westiminster, Cultura Cristã 1997, p. 17

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

SOLA SCRIPTURA




Os Reformadores afirmaram que Somente a Escritura é a única regra de fé e prática para a vida do crente. Somente por meio dela, que podemos conhecer verdadeiramente a Deus e conhecer a verdade. Essa continua sendo a declaração da Igreja de Cristo!
Você tem duas opções com relação a conhecer a Deus: a primeira é desenvolver um suposto conhecimento dele a partir da sua imaginação; a segunda é desenvolver esse conhecimento a partir da revelação que Ele faz de si mesmo, que a Escritura. O Dr. Bruce Bickel disse:
O Cristianismo fundamenta-se na revelação. Se Deus, em sua soberana majestade, tivesse decidido não se revelar aos seres humanos, não teríamos conhecimento sobre ele nem a possibilidade de um real relacionamento com ele. Nosso conhecimento de Deus abrange aquilo que lhe aprouve rever-nos a respeito de sua Pessoa. Todos os esforços humanos destinados a conhece-lo levam a falsas religiões ou misticismos. Consequentemente, a questão básica que determina nosso relacionamento com Deus é a submissão, seja à sua revelação ou à nossa imaginação.[1]
O SENHOR existe e se revelou, esse é o pressuposto da nossa fé. Por isso cremos que toda a Escritura é inspirada por Deus, como afirma o apostolo Paulo a Timóteo (2 Tm 3.16). A expressão “inspirada” (θεόπνευστος) não é a melhor tradução, o sentido mais adequado é que a Escritura é a respiração de Deus, ou exalada por Deus.[2] Não encontramos em toda o Novo Testamento o termo “inspiração”, apenas uma única vez no Antigo Testamento, em Jó 35.10: “Mas ninguém diz: Onde está Deus que me fez, que inspira canções de louvor durante a noite.” O termo hebraico para inspiração aqui é   נֹתֵ֖ן que pode ser traduzido literalmente como “dá”.  A expressão usada por Paulo em 2 Timóteo 3.16 traz o sentido de soprado para fora e não soprado para dentro, como uma inspiração, mas uma respiração de Deus, um sopro, é isso que é a Escritura!
Como bem afirmou Benjamin B. Warfield sobre a força da expressão grega usada por Paulo em 2 Timóteo 3.16:
Numa palavra, o que se declara nesta passagem fundamental é, simplesmente, que as Escrituras são um produto divino, sem qualquer indicação da maneira como Deus operou para produzi-las. Não se poderia escolher nenhuma outra expressão que afirmasse, com maior saliência, a produção divina das Escrituras, como esta o faz (...)  Paulo (...) afirma com toda a energia possível que as escrituras são o produto de uma operação especificamente divina.[3]

Embora a tradução mais adequada de 2 Timóteo 3.16 não seja “inspiração”, usarei está por ser comumente utilizada na teologia. Portanto, o que venho tentando dizer é que a Escritura é o poder de Deus manifestado aos homens. O Salmo 33.6 fala: Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espirito da sua boca. Quando Paulo fala que a Escritura é sopro de Deus ou respiração de Deus, que homens foram separados e preparados para esse função sublime.
O apóstolo Pedro escreve (2 Pe 1.20-21): sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo. O apostolo Pedro afirma que os escritores das Escrituras forma separados (santos) e movidos pelo Espírito Santo. A expressão “movidos” é ‘φερόμενοι’, era usado para descrever navios levados pelo vento.  A metáfora aqui, é que os profetas levantavam suas velas e o Espírito Santo as inflava e dirigia suas embarcações na direção que quisesse.[4] O Dr. Warfield faz um pertinente comentário sobre essa passagem:
O que é “levado”, é tomado pelo “portador”, e transportado pelo poder do portador, e não pelo seu, para o destino do portador e não o seu próprio. Declara-se, aqui, que os homens que falaram da parte de Deus foram tomados pelo Espírito Santo e levados, pelo seu poder, ao alvo por Ele escolhido. As palavras que eles disseram, sob esta operação do Espírito Santo, eram Suas e não deles. E essa é a razão por que se afirma que a “palavra profética” é tão firme. Embora seja falada pela instrumentalidade de homens, é, em virtude do fato de terem esses homens falado “levados pelo Espírito Santo”, uma palavra diretamente de Deus.[5]
Cremos portanto, que toda a Escritura é Palavra de Deus, escrito por homens separados e movidos pelo Espírito Santo a transmitir a “respiração de Deus” para nós! Ela é a nossa única regra de fé e prática, nosso porto seguro para conhecermos a Deus e nos relacionarmos corretamente. O Senhor não é fruto da nossa imaginação fértil, mas de um meditar e perscrutar sua Palavra! Continuemos firmados nessa verdade inabalável, porque até que os céus e a terra passem, nem um i ou um til da Palavra passará (Mt 5.18)!
A Ele toda a glória!
Reverendo Márcio Willian Chaveiro
               



[1] BICKEL, Bruce Bickel e outros,  Sola Scriptura, Cultura Cristã, 2000, p. 9
[2] WARFIELD, passim. pp.83.84
[3]WARFIELD,  B.B. Warfield, The Inspiration of the Bible; In: WBBW, I, p.79
[4] RIENECKER & ROGERS, Fritz Rienecker & Cleon Rogers, Chave Linguística do Novo Testamento, Editora Vida Nova, 2000, p.574
[5] WARFIELD. B.B. Warfield, A Inspiração das Escrituras, Editora Vida Nova, p. 89

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

UM PROTESTO NO DIA DA REFORMA PROTESTANTE!

A pós modernidade é um tempo sem eixo, sem rumo certo e absoluto. Não convive bem com essa cultura os que não tem convicções irremovíveis, absolutas, ortodoxas. Logo, é mais cômodo, aceitável, ser politicamente correto, falar o que todos querem ouvir. Essa tem sido a marca do nosso tempo!
O Dr. Herminsten Maia acertadamente definiu a pós-modernidade:
Hoje, não temos mais referências, o homem já não é o centro de todas as coisas, pois já não há mais centro. Estamos “perdidos no espaço”. Sem absolutos, não sabemos ao certo o valor do homem e o seu papel no universo. Sem princípios universais, não existem absolutos; sem estes, tudo é possível. [2]
Em tempos pós modernos como o nosso, nada mais natural que a Igreja Católica Romana tenha um Papa com perfil pós- moderno, com posturas politicamente corretas! Um líder que afirma usar a linguagem do coração, do sentimento, do amor ao próximo, da união entre as religiões! Chama os evangélicos de irmãos! É tudo “muito lindo e edificante”! Ele negou a narrativa bíblica de Gênesis como sendo relato histórico, com o propósito de ser bem visto pelos cientistas evolucionistas. O que os crentes e católicos mais ortodoxos não percebem é que se afirmamos que Gênesis 1 e 2 não narra a criação pela ação direta de Deus em seis dias, isso coloca em descredito todo o restante das Escrituras! A coexistência do criacionismo com o evolucionismo, como quer o Papa Francisco, é completamente incompatível com a razão e com as Escrituras!
Foram publicadas as seguintes palavras do Pontífice sobre a narrativa em Gênesis 1-2: “Quando lemos sobre a criação no Gênesis, corremos o risco de imaginar que Deus era um mágico com uma varinha capaz de fazer tudo. Mas não é assim.”[3] Sem dúvida Deus não tem uma varinha de fazer mágica, como “acertadamente” disse o Papa Francisco! Quem utilizou uma vara para manifestar o poder de Deus, foi Moisés, o qual escreveu esse livro das origens, Gênesis! Quem usa varinha mágica é mago e não Deus! Só imaginaria Deus com uma varinha criando todas as coisas, alguém influenciado por mitologia pagã e desconhecimento bíblico ou talvez uma criança! O cristão verdadeiro que conhece o Criador, sabe que Ele criou tudo pelo poder da sua Palavra e não por uma varinha mágica! O autor aos Hebreus diz (11.3): Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das cousas que não aparecem. Em todo esse capítulo, a expressão “pela fé” ocorre referindo ao conteúdo da fé dos homens e mulheres de Deus no Antigo Testamento, esse conteúdo é Cristo (11.39; 12. 1-3). Se eles creram em Cristo como Redentor, da mesma forma, creram pela fé que o Deus triuno criou todas as coisas pelo poder da sua Palavra, negar um é negar o outro! O apóstolo João disse (Jo 1.1-3): No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. O apóstolo Paulo afirmou para os filósofos epicureus e estoicos de Atenas (At 17. 24): O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele o Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. O Papa Francisco deveria saber que é impossível a luz das Escrituras imaginar Deus com uma varinha criar todas as coisas! Ele é o Criador da matéria, do tempo, do espaço, e tudo veio a existir pelo poder da sua Palavra, por sua ação direta, porque nele nós nos movemos e existimos (At 17.28)! O Deus triúno é o Criador não somente do Universo, mas de toda a terra, o Habitat do homem!
Tentar conciliar o criacionismo bíblico com o evolucionismo ateísta, é absurdo ao extremo! Na realidade, o Pontífice de Roma apenas tenta acomodar o relato bíblico com a “pseudo ciência evolucionista” para agradar a gregos e troianos! Essa postura dele já foi vista em relação aos homossexuais, dizendo que são bem vindos em suas igrejas! Os homossexuais não são bem vindos também na grande maioria das igrejas evangélicas? O que ele não disse ainda, e creio que não dirá, é que a Igreja Católica não fará casamento homossexual, porque o casamento entre um homem e uma mulher é um dos sete sacramentos da Igreja! Ele utilizou de uma postura politicamente correta, em relação aos homossexuais, para que não pareça ofensivo demais para a população mundial, que tem defendido a causa gay através das mídias!
O crescimento dos evangélicos no mundo todo, tem forçado a igreja romana a ter posturas aparentemente mais abertas, para atrair mais pessoas! Você não acha muito interessante que nesse momento em que no hemisfério sul tem crescido o número de evangélicos, fosse escolhido um Papa carismático latino americano, "depois de muita oração do conclave"? O Papa Francisco claramente em um vídeo convidou a igreja protestante para voltar a igreja romana, utilizando-se da história de José e seus irmãos. Ele diz que assim como os irmãos de José foram até o Egito para serem alimentados, embora tivessem dinheiro, não tinham comida, a igreja protestante precisa ir até ele dar um abraço reconciliador! A Igreja Romana é simbolizada por José do Egito, que foi traído por seus irmãos, mas tornou-se mais forte e agora pode dar alimento aos seus "infiéis e traidores irmãos", que representam os evangélicos, frutos da Reforma Protestante do século XVI! Ele afirma que não temos mais o que protestar contra a Igreja Católica! [4] Realmente, essa igreja evangélica adoecida espiritualmente e distante das Escrituras não tem mais nada a protestar, por isso, pastores que defendem a Teologia da Prosperidade nos EUA, tem abertamente defendido esse “retorno”!
Nesse ano de 2014, comemoramos 497 anos da Reforma Protestante. A luta ainda continua para defender a verdade revelada na Escritura. Precisamos apenas discernir que o Diabo tem se utilizado de outra linguagem, de uma fala mansa, suave, sorrateira, que envolve os desavisados, e aqueles que não conhecem o verdadeiro Evangelho! A contra reforma não é mais com violência, com perseguição declarada, mas com envolvimento psicológico, emocional, com sentimentalismo, conduzindo muitos para a apostasia. Judas diz (4): Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.
Não quero defender a “teoria da conspiração” ou coisa parecida. A conspiração do mal sempre existiu contra Deus desde a Queda dos anjos e de Adão! Mas Deus olha para eles conspirando contra Ele e seu Ungido, e dá risada (Sl 2)! Eu apenas quis apresentar fatos, que todos nós temos visto nas mídias, impressa, digital e televisiva. A igreja evangélica esta adoecida moral, ética e teologicamente por causa dos charlatães da Teologia da Prosperidade em todo mundo. No Brasil, os maiores líderes hereges são: o salomônico Edir Macedo, R. R. Soares, Valdemiro Santiago e outros. O campo é fértil para uma “só religião”, que defenda os interesses humanos de todos!
Todavia, não fique assustado se isso acontecer, é porque Deus determinou que assim fosse, e Ele controla a história, não os homens ou o Diabo! Seria uma forma providencial do Senhor de purificar a igreja de Cristo! Não temos que temer, apenas precisamos nos fortalecer no Senhor, em sua Palavra, no poder do seu Espírito, para resistir o dia mal (Ef 6. 10-20)! Não podemos esquecer da exortação de Paulo ao jovem pastor Timóteo (2Tm 4. 1-4): Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino; prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fabulas.
Concluo com “profética” afirmação de Francis A. Schaeffer no século passado falando sobre a Igreja do Século XXI e suas lutas:  A igreja tem futuro em nossa geração? (...) Creio que corre perigo. Está prestes a passar por maus bocados. Enfrentamos pressões presentes e uma manipulação presente e futura que se tornará tão intensa nos dias por vir a ponto de fazer as batalhas dos últimos 40 anos parecerem brincadeira de criança.
A Ele toda a glória eternamente, amém!
Reverendo Márcio Willian Chaveiro