sexta-feira, 9 de setembro de 2016

NÃO DEIXEMOS DE CONGREGAR COMO É COSTUME DE ALGUNS!

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Existem muitos crentes decepcionados com falsas igrejas e falsos pastores. Esses pastores distorcem a Palavra de Deus para fazer comercio do povo (2Pd 2. 1-3). Os irmãos que passaram por isso, conheceram fragmentos do Evangelho nessas igrejas e portanto, não tem outras referências e vivências institucionais ou pastorais para lhe servir de parâmetro. Logo, se tornam arredios a todo tipo de organização eclesiástica e ministério pastoral por causa das dores emocionais e espirituais causados por esses falsários. Pensam que toda igreja institucionalizada está corrompida, e então, o problema é "organização" e os "pastores"! 
Em meio a tudo isso, tem se levantado líderes desses "desigrejados" que sob a desculpa de combaterem o "sistema" criam seus próprios sistemas financiados por crentes ignorantes quanto ao Evangelho e a real natureza da igreja. Esses líderes criam divisões em igrejas sérias com o pretexto de que todas estão corrompidas e todos os pastores são ladrões de dízimos! Existem pessoas que vivem para promover essas divisões, financiados por instituições estrangeiras. 
O que a carta aos Hebreus pode nos ajudar a responder a esses desafios? Para termos essa resposta é preciso considerar algumas questões no contexto da carta. A estrutura da espistola é fundamental para começarmos esse processo de entendimento. O conteúdo é dividido em duas partes principais: a) doutrinária; b) prática ou pastoral. O autor expõe na parte doutrinária que Cristo é o clímax da revelação de Deus (1.1-3); a sua superioridade em relação aos anjos, Moisés, sacerdócio Levítico (1-11); explicação sobre a tipificação e simbolismo das cerimonias no Antigo Testamento, como sombra do que haveria de vir, Cristo (10. 1-18) e que Cristo é sumo-sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. A segunda parte ele aborda de modo prático como os crentes hebreus deveriam viver a luz dessas verdades doutrinárias. O autor exorta a Igreja não agir como os apostatas (6. 1-12); a não cometerem o mesmo erro que o povo de Israel cometeu no passado rebelando contra o Senhor e apostatando da fé (10.26-31); exorta esses hebreus ao progresso na Fé como fizeram os homens e mulheres de Deus no Antigo Testamento, sempre olhando para o consumador e autor da nossa fé, Cristo (11-12); perseguir a santidade (12. 14-17); deveres Sociais e amor fraternal (13. 1-6) e deveres espirituais em relação aos pastores (13. 7-17).
É nesse contexto doutrinário e pastoral que o autor exorta os leitores originais, a não deixar de congregar, como era o costume de alguns. Mas antes de expor propriamente o texto que originou o tema desse artigo, é preciso que exponha rapidamente os versos imediatamente anteriores a passagem. O autor usa muitas figuras do Antigo Testamento para mostrar aos seus leitores originais, que eram hebreus convertidos, que esses ritos, cerimonias, sacerdócios em Israel, eram sombra de Cristo! Ele falou sobre a ineficácia dos ritos e leis cerimonias do Antigo Testamento (10.1).
Os sacrifícios diários e anuais em Israel nunca foram exigidos por Deus como uma forma permanente de purificação de pecados. Mas serviam para apontar para a morte sacrificial de Cristo, que de uma vez por todas cancelaria o escrito de dívida que pesava sobre nós (Cl 2. 13-15). O autor reafirma essa verdade ao dizer (10. 3-4): Entretanto, nesses sacrifícios faz-se recordação de pecados todos os anos, porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados. Os sacerdotes apresentam sacrifício diariamente, todavia, Cristo como sumo sacerdote e a própria oferta, apresentou-se perante o Senhor nos Santos dos Santos de uma vez por todas (10. 11-18). Através de Cristo e pelos seus méritos expiatórios, temos livre acesso a presença do Pai (10.19.
O autor está dizendo a esses irmãos hebreus, que em Cristo todos os ritos cerimoniais no tabernáculo e depois no templo, se cumprem. Em Cristo temos acesso a presença do Pai, porque Ele é o Novo e Vivo Caminho! Como o próprio Jesus afirmou aos discípulos, que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6). Devemos entrar na presença de Deus com ousadia, intrepidez, confiados nos méritos de Cristo, porque ele é o nosso Mediador (1 Tm 2.5), o nosso Advogado, o Justo (1Jo 2.1-3); e a nossa justificação (Rm 5.1)! O véu foi rasgado de uma vez por todas (Mt 27. 51-53)!
Não existe mais necessidade de sumo sacerdotes, temos um único Sumo sacerdote que nos representa na presença do Pai, para sempre! O Senhor Jesus é o grande sumo sacerdote na Casa de Deus (10. 21-22). O sacerdócio levítico apontava para Jesus (7. 4-19); os sumos- sacerdotes da casa de Arão, apontavam para o Sumo Sacerdote segundo a Ordem de Melquisedeque (7. 1-3). Para Cristo tudo converge, se cumpre! Por isso, devemos entrar com coração sincero e plena certeza de fé na presença do Senhor (10. 23)! A convicção de fé envolve crer em tudo que a Escritura testemunha sobre Jesus.

A NECESSIDADE DE CONGREGAR
    Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.
(10. 24)
O autor exorta esses crentes a congregar, considerando um aos outros, para que mutuamente ocorra o estimulo espiritual para a caminhada. A comunhão da igreja é além de outros fatores, uma forma de estimulo espiritual. O amor é estimulado, e a santidade é desenvolvida como maior intensidade. A relação social na comunidade cristã exerce sobre nós o aperfeiçoamento na fé! Por isso o autor afirma (10. 25): Não deixemos de congregar-nos como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.
Porque o autor fala para não deixar de congregar? Porque alguns haviam deixado e voltado para as práticas judaicas, conforme podemos confirmar: a) muitos haviam abandonado a fé e a igreja (6. 4-8); b) retrocederam na fé, voltando a práticas judaicas já cumpridas em Cristo (10. 32-39); c) muitos que estavam congregando estavam com as mãos descaídas, joelhos trôpegos e profundamente desanimados na fé (12. 12-13). Logo, esses irmãos deveriam se firmar na  esperança da Volta de Cristo e cumprimento das promessas redentoras!
A comunhão dos santos em adoração expressa o desejo de entrar no descanso do Senhor e adorar na nova Jerusalém ao Cordeiro e ao que está no trono (Ap 21)! É uma santa preparação para esse momento e a vivência de uma realidade presente, mas ainda não uma realidade plena! Os desigrejados demonstram que não anseiam por isso ao deixarem de valorizar esse ajuntamento do povo da aliança. O termo “desigrejado” é moderno, apenas uso para contextualizar a mensagem a nossa realidade que essencialmente é a mesma do autor a carta aos Hebreus. Não quero dizer com isso que desigrejados não serão salvos porque estão fora da igreja. A igreja não salva ninguém, muitos que estão na igreja não serão salvos, porque nunca conheceram realmente o Evangelho! É verdade que muitos desigrejados em nossos dias estão nesse estado por uma frustração com pastores da Teologia da Prosperidade, por problemas de relacionamentos com outros membros da igreja, e por total imaturidade espiritual e ignorância bíblica, por nunca terem conhecido ministérios pastorais sérios e bíblicos, e portanto acham que todas as igrejas e pastores são hereges como os que eles conheceram. Para esses irmãos, falta conhecimento e maturidade cristã. Contudo, muitos que são desigrejados por ter abandonado deliberadamente a vida em comunidade, a batalha da igreja pela saúde espiritual e teológica do povo da aliança. Essa atitude demonstra que nunca conheceram  realmente o Evangelho! Porque alguém que conhece o Evangelho e o Supremo Pastor da igreja, anseia fazer parte do povo em adoração e serviço e batalhar pela fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos (Jd 3). Não existe mensagem na Bíblia para “desigrejados”, só existe para “igrejados”! O culto na vida diária e individual  leva o crente a participar do culto coletivo com o povo de Deus! É completamente incoerente que alguém afirme ser um verdadeiro adorador e não deseje intensamente adorar juntamente com o povo de Deus e ser pastoreado por pastores fiéis que expressem o pastoreio de Cristo (Hb 13. 7-9).
A Vinda do Supremo Pastor está próxima, e devemos nos exortar mutuamente para que vigiemos e perseveremos nessa esperança. Quem não congrega, não pode ser exortado a vigilância e santidade, pois vive no individualismo e egoísmo, disfarçado de piedade! Talvez seja essa uma das maiores razões para a existência de desigrejados, a arrogância e prepotência, que o impede de viver em comunidade, ser orientado pastoralmente, submeter-se a uma liderança bíblica (Hb 13. 7-17) e ser instruído pelo convívio bom e as vezes conflitantes com os demais membros da igreja!
A vida fora da comunidade cristã, da comunhão dos santos, estimula a prática de pecados (10. 26-27)Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. A razão é simples, quando estamos em comunhão com os santos em Cristo, somos exortados por Deus através de pregações fiéis, exortados por irmãos piedosos, confrontados com o bom exemplo de muitos irmãos, tudo isso nos estimula a buscar o Reino de Deus e sua justiça (Mt 6.33). Todavia, quando estamos distantes da igreja, somos mais suscetíveis as tentações da carne, do mundo e do Diabo. O curso natural é afastar-se progressivamente da santidade e cometer vários pecados que começam a ser justificados na mente como normais e que os que a igreja prega contra é fruto de religiosidade e legalismo. Não discordo que na igreja existem práticas proibidas que não são proibidas por Deus, fruto de tradição e costumes errados, mas é também verdade que na igreja fiel a Escritura, somos exortados constantemente a santidade!
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Fazemos parte da comunidade da aliança. O nosso Deus nos promete Redenção absoluta através do seu Mediador, Cristo. Essa certeza deve nos trazer firme convicção para peregrinarmos nessa terra em direção àquela que nos foi prometida como herança (Hb 11. 8-10). Não temos razão para olhar para trás, mas apenas para frente, para o Autor e Consumador da nossa fé, Cristo Jesus (Hb 12. 1-3)!
Aprendemos que é na comunhão da igreja que nos estimulamos   na fé na esperança! É na comunhão da Igreja que nos exortamos a viver em santidade (Cl 3.16-17)! É através da comunhão da Igreja que amadurecemos na fé (Ef4.7-16)! A igreja não é perfeita, é composta de pecadores salvos pela graça, mas se fosse perfeita, deixaria de ser quando entrássemos nela  para adorar! A vida comunitária dos filhos da aliança é um preparo para a eternidade, onde viveremos plenamente em adoração e comunhão ao Supremo Pastor!
Viver isoladamente do restante dos crentes é uma clara evidência de falta de piedade, e talvez de conversão! O crente verdadeiro anseia e se alegra por estar com o povo de Deus! O crente verdadeiro usa seus dons para edificar o outro! Ele compreende as falhas da igreja e luta em oração para que ocorra arrependimento e quebrantamento da mesma, para o bem do corpo! O crente verdadeiro clama a Deus para fortalecer a Igreja, para que Cristo seja honrado e glorificado! O verdadeiro adorador anseia pelo Dia que congregará com uma multidão incontável perante aquele que está no trono e ao Cordeiro, na Nova Jerusalém (Ap 7. 9-17)!
Que essa tendência no meio evangélico não cause influencia na nossa percepção da realidade a luz da Escritura. Mas que sejamos fiéis na nossa batalha pela fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos (Jd 3)! A Ele toda a glória hoje e sempre, amém.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

FESTA JUNINA, QUAL O PROBLEMA?

Entendo que para sabermos a essência de algo é preciso voltar nossos olhos  para o começo, para a sua origem. É no estabelecimento de algo que você descobre a identidade, ainda que sofra as alterações e adaptações, continua sempre a mesma essência inicial. Portanto, pergunto a fim de lançar luz ao nosso tema, como se originou a festa junina? Foi no período pré-gregoriano (1505-1582)[1] que ocorriam festas pagãs em comemoração a grande fertilidade da terra. Logo, sua origem é pagã e uma festividade para agradecer às divindades a fertilidade! Os portugueses católicos, posteriormente trouxeram essa festa para o Brasil que foi incorporada a nossa cultura, em 1500. No Brasil tornou-se uma festa para os principais santos católicos, como: Santo Antônio (13 de junho); São João (24 de junho); São Pedro (29 de junho); São Paulo (29 de junho).[2] A festa junina que antes de chagar ao Brasil era chamada de festa joanina[3], uma menção a João Batista, é uma mistura da cultura francesa, a quadrilha tem característica chinesa com os fogos de artifícios; a espanhola e portuguesa com a dança das fitas.[4] É importante destacar também que essa festa joanina ao tornar-se junina no Brasil foi influenciada também pelos negros africanos que receberam muito bem essa festa por se identificar com seus deuses e festas pagãs, assim como os índios brasileiros.
A festa joanina se baseia em um mito católico romano sobre uma conversa de Maria com Isabel, durante o período em que ambas estavam grávidas:
Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se.
Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que, dentro de algum tempo, iria nascer seu filho, que se chamaria João Batista.
Nossa Senhora, então, perguntou-lhe: - Como poderei saber do nascimento do garoto?
- Acenderei uma fogueira bem grande; assim você de longe poderá vê-la e saberá que Joãozinho nasceu. Mandarei, também, erguer um mastro, com uma boneca sobre ele.
Santa Isabel cumpriu a promessa.
Um dia, Nossa Senhora viu, ao longe, uma fumacinha e depois umas chamas bem vermelhas. Dirigiu-se para a casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da religião católica. Isso se deu no dia vinte e quatro de junho.
Começou, assim, a ser festejado São João com mastro, e fogueira e outras coisas bonitas como: foguetes, balões, danças, etc…
   E, por falar nisso, também gostaria de contar porque existem essas bombas para alegrar os festejos de São João.

   Pois bem, antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste, porque não tinha um filhinho para brincar.

   Certa vez, apareceu-lhe um anjo de asas coloridas, todo iluminado por uma luz misteriosa e anunciou que Zacarias ia ser pai.

   A sua alegria foi tão grande que Zacarias perdeu a voz, emudeceu até o filho nascer.
 No dia do nascimento, mostraram-lhe o menino e perguntaram como desejava que se chamasse.
Zacarias fez grande esforço e, por fim, conseguiu dizer:
- João!
Desse instante em diante, Zacarias voltou a falar.
   Todos ficaram alegres e foi um barulhão enorme. Eram vivas para todos os lados.
Lá estava o velho Zacarias, olhando, orgulhoso, o filhinho lindo que tinha…
Foi então que inventaram as bombinhas de fazer barulho, tão apreciadas pelas crianças, durante os festejos juninos.[5]
A quadrilha é uma dança para agradecer aos santos católicos pelas colheitas, pela fertilidade e prosperidade. Como a festa tem sua origem pagã e foram praticadas fortemente até o século 10 d.C., a Igreja Católica Romana não conseguiu impedir essa festividade, resolveu cristianizar essa prática adaptando aos santos idolatrados por ela![6] Agora a igreja evangélica faz o mesmo nos seus “arraiais”!
O que tudo isso significa?
Não existe nada de original na festa junina do Brasil, com a alegação que faz parte da cultura brasileira. É uma festa que tomou para si vários aspectos de diferentes culturas pagãs, associou-se a religião católica brasileira por meio dos colonizadores portugueses e hoje é pratica anual em nosso país. Surge de uma distorção do relato bíblico de Maria e Isabel e toma pra si características idolatras (Lc 1. 39-45).
Faço outra pergunta: o que é cultura?
      Essa expressão vem do termo  latim “colere”, que é etimologicamente cultivar, cuidar, mas aplicado as nações, significa conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo homem não somente em família, como também parte de uma sociedade como membro dela que é. É importante destacar que cada cultura é influenciada por vários fatores.[7] A festa junina já foi exposta às influencias que ela teve até chegar ao Brasil e tornar-se “cultura brasileira”! Você acha que ela carrega em si uma cultura que o crente deve abraçar e apoiar como normal e inofensiva?
Eu não entendo sinceramente a razão de muitos crentes desejarem tanto participar apenas por causa das comidas juninas ou por um suposto “caminho de evangelização”!? Penso que o só comer as comidas típicas da festa, não tem problema, o problema é participar da festa dentro da sua identidade, com roupa de quadrilha, dançando, se identificando totalmente com a festividade católica e pagã. O problema é ser reconhecido como crente em meio aos idolatras, e assim escandalizar o nome de Cristo! O problema é ter essa sede pelas coisas do mundo, que muitos demonstram ter! O problema é ensinar os filhos pequenos que podem participar das danças de quadrilha aos santos, sem nenhum problema espiritual!
E a Bíblia diz alguma coisa sobre isso?
É lógico que não diz nada diretamente, mas indiretamente sim. Partindo do fato histórico que a Festa Junina tem sua origem pagã, e que foi praticada até o século 10 d.C. pelos pagãos no Império Romano e depois cristianizado pelos católicos, é obvio que podemos utilizar as condenações bíblicas a associação com práticas e cultos pagãos (Ap  2. 14; 2. 20) esses dois textos falam de situações vivenciadas pelas igrejas de Pérgamo e Tiatira, que naturalmente não estou dizendo que essas passagens foram dadas para combater festa junina ou joanina, ou até mesmo a festa pagã que deu origem a estas, mas que o principio de não associação ao culto pagão, seja em sacrifícios, sejam em festas, é evidente para qualquer época e situação. Outro texto que cito, por falta de espaço para citarmos outros, é 1 João 2. 15-17, que o apóstolo claramente fala para não amarmos o mundo e o que no mundo existe. Ele fala de não nos envolvermos com aquilo que é diametralmente contra a nossa caminhada em Cristo, tudo que socialmente, culturalmente estiver no mundo que é contrário ao padrão moral e santo de Deus para nós, deve ser rejeitado completamente! Então, conclua você mesmo sobre o dançar na festa junina, vestir seus filhos de caipira para participar da festividade!
Para concluir aponto algumas diretrizes básicas que entendo serem normativas e norteadoras para a nossa prática em todos os tempos:
1.    Primeiro principio normativo das Escrituras: tudo que faço, penso, como, bebo, deve ser para a glória de Deus (1Co 10. 31-33).
2.    Segundo principio: se o que faço, ainda que não seja necessariamente um pecado, se escandaliza alguma consciência fraca não devo fazer por causa da consciência do outro, caso contrário estarei pecando contra o Senhor e meu irmão fraco (1Co 10. 28-29)
3.    Terceiro principio normativo das Escrituras: tudo eu tenho liberdade para fazer, mas não significa que devo fazer, preciso avaliar se é conveniente aos olhos do Senhor ir a tal lugar, participar daquela determinada cultura (1Co 10. 23-24).
4.    Quarto principio normativo: não devo ser pedra de tropeço para o meu irmão, que entende que essa prática é pecaminosa (Rm 14. 14)
Considerações Finais
                  Entendo que a costumeira frase: a igreja precisa fazer contato cultural, por isso deve participar ou fazer em substituição a festa junina, a festa caipira! É na realidade utilizada para associar com os prazeres culturais que s contrapõem com a Fé Cristã. Não vejo problema algum  a igreja fazer festa do inverno, com comidas típicas para uma época de frio, eu já participei e gostei bastante! O que acho estranho é a igreja justamente nessa data, fazer festa caipira, que é uma clara associação a festa junina! Não vejo problema, caso não escandalize, alguns crentes amigos se reunirem em um determinado local exclusivo para eles, e fazerem comidas típicas dessa época, devido à facilidade e variedade delas nos mercados, desde que essa atitude seja apenas para comer, sem qualquer menção a festa junina, e sem escandalizar qualquer irmão. E sem dúvida, sem que isso seja uma ação da igreja, contudo, de pessoas livres para fazerem isso em suas residências de modo discreto.
            Eu me lembro de bem quando era uma criança (faz algum tempo), que perguntei ao meu tio que me levava a igreja o porque que eu não deveria participar de festa de São João? Ele me explicou a associação com a idolatria, dizendo: Você vai falar “Viva São João!”...Viva a São Pedro!”...O que com apenas 8 anos entendi perfeitamente e nunca mais desejei fazer parte dessa festividade. Os pais perdem uma grande oportunidade de instruir seus filhos na verdade, achando que estão fazendo um bem leva-los a dançar quadrilha! A cultura associada a religiosidade pagã não deve fazer parte do nosso convívio, porque me responda até onde poderei ir sem perder minha identidade, testemunho e o quanto perderei a oportunidade de ensinar meu filho? Temos que influenciar a cultura e não nos moldar por ela! Precisamos evangelizar com linguagem acessível a todos os homens, mas sem perder o conteúdo e essência do Evangelho! Creio que existe muito mais desculpas de evangelismos para se divertir nestas festas, do que realmente interesse em glorificar a Cristo e influenciar com o Evangelho a sociedade e a cultura! É minha opinião!
Márcio Willian Chaveiro



[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_gregoriano
[2] http://www.fashionbubbles.com/festas-tematicas/origem-e-historia-das-festas-juninas-parte-13/
[3] http://www.brasilcultura.com.br/cultura/a-origem-da-festa-junina-no-brasil-e-suas-influencias/
[4] http://www.brasilescola.com/detalhes-festa-junina/origem-festa-junina.htm
[5] http://arribaasaia.no.comunidades.net/a-origem-da-festa-junina
[6] http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-surgiram-as-festas-juninas
[7] http://www.significados.com.br/cultura/

segunda-feira, 18 de maio de 2015

RESENHA: João Calvino - 500 anos – Introdução ao seu Pensamento e Obra


Resenha: Reverendo Márcio Willian
            Introdução
            O livro “João Calvino 500 anos – Introdução ao seu Pensamento e Obra”, foi escrito pelo Dr. Herminsten Maia Pereira da Costa, que é ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil, autor de vários livros, tais como: A Inspiração e Inerrância das Escrituras; O Pai Nosso; Raízes da Teologia e outros. É professor de Teologia Sistemática no Seminário Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição e Diretor da Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ele felizmente escreveu esse livro como fruto de suas pesquisas nos vários anos como professor e estudante da vida e obra de João Calvino.
            Esse livro tem uma grande relevância para o meio reformado devido ao interesse progressivo de uma nova geração de crentes por doutrinas da graça. Temos presenciado uma grande procura pelas doutrinas reformadas no meio pentecostal e neo pentecostal. Portanto, esse livro não servirá apenas para os reformados nominalmente, mas para todos os crentes de variadas denominações que Deus tem movido para conhecer essas verdades bíblicas.
            O nome de João Calvino é muito mal compreendido por alguns meios e quase idolatrado por outros. Ele geralmente é visto apenas como um teólogo da Reforma, mas não como um piedoso pregador e dedicado servo de Cristo. Esse livro esclarece e mostra aspectos da vida de Calvino que é desconhecida por muitos. O autor de forma eficiente e dedicada consegue cativar o leitor e transportar o mesmo para a época de João Calvino, levando a edificação e adoração ao Senhor Jesus.
            O Dr. Herminsten expõe bem as questões relacionadas a vida e obra de Calvino. Como ele foi formado e trabalhado por Deus para ser usado no Reino de Cristo. O autor vai discorrer  como Calvino enxergava os seguintes aspectos: Suficiência das Escrituras (páginas 65-128); a eleição divina (páginas 135-188); O homem como imagem e semelhança de Deus (páginas 191-220); A Espiritualidade (páginas 225—279); O culto (páginas 285-322); A educação (páginas 325-345); A ética Social (páginas 347-363); A Ciência (páginas 367-389). Abrange as áreas de maior importância citando fontes primárias e secundárias importantes para comprovar suas abordagens.
            Faremos citações e comentários objetivos de cada capítulo, abordando uma visão geral do livro, com o máximo de fidelidade ao propósito do autor.
1.       O Contexto Histórico da Reforma Protestante
            O autor apresenta um panorama do contexto da pré-reforma[1],  passando pelo papado antes do século XVI, demonstrando o paganismo Greco-romano e expondo os conflitos existenciais do povo nesse período, onde havia um cenário preparado providencialmente para o surgimento da Reforma Protestante.
            Ele apresenta a ação da Reforma e Renascença no mesmo palco histórico e suas diferenças, ao dizer: “Ainda que a Reforma e a Renascença tivessem coincido na história e também tratado dos mesmos problemas básicos, as suas respostas foram completamente diferentes”.[2] Sem duvida os pressupostos da Renascença eram completamente opostos aos da Reforma, no primeiro o Homem é o Centro, no segundo Cristo é o Centro. Logo, os resultados e propósitos são completamente diferentes.
            Ao falar da Reforma e as Escrituras, ele mostra que Calvino valorizava a centralidade das Escrituras. Foi uma busca intensa de Calvino sempre, centralizar as Escrituras na vida e culto do povo de Deus. [3] Para João Calvino a Escritura era o cetro que Cristo usava para governar seu Reino, a Igreja.
2.       O Trabalhar de Deus na Formação de Calvino
O autor nos oferece informações importantes sobre a formação de Calvino, como o academicismo humanista serviu providencialmente para a preparação intelectual desse grande reformador.[4] Os conhecimentos adquiridos forma no futuro usados pelo Espírito Santo para o ajudar na compreensão teológica das Escrituras e desenvolver raciocínios tão logicamente fundamentados na Bíblia.
            A conversão de Calvino é escassa de informações quando e como aconteceu, contudo, algumas citações de escritos dele são feitas no propósito de colher informações que somadas ajudam a descobrir um pouco mais sobre esse assunto. [5]
O autor demonstra o papel do renascentismo e a imprensa como contribuídores da Reforma Protestante, até uma certa medida. O anseio dos renascentistas de superar a literatura grega foi extremamente forte nesse período, tendo em vista a facilidade proporcionada pela invenção da imprensa. Os catedráticos eram extremamente valorizados e por isso havia competições entre eles para ocupar cargos de acadêmicos. O renascentismo defendeu a centralidade no homem, o que tornou posteriormente um fracasso. Calvino era um genuíno humanista por que estava interessado no homem, obviamente do ponto de vista bíblico.
Algo que também nos chama a atenção é a preocupação de Calvino com a unidade da igreja. O Dr. Herminsten escreve sobre esse reformador, deixando bem claro essa visão bíblica e piedosa: “Calvino entendia que Satanás, muitas vezes, se vale de nossos bons sentimentos para fazer que quebremos a unidade da igreja , supostamente em busca de uma igreja ideal.” [6]Em um tempo que tantas igrejas surgem por questões mais banais possíveis, tornar-se imperativo expor essa declaração de Calvino.
3.       A Centralidade das Escrituras na Vida da Igreja
Atualmente a igreja evangélica tem vegetado espiritualmente por causa da ausência das Escrituras no culto e na vida eclesiástica. A pregação bíblica tem sido progressivamente abandonada, e em seu lugar têm surgido mensagens de autoajuda e misticismos. A declaração que Calvino faz com respeito a importância das Escrituras é fundamental para nortear a igreja do século XXI:
“Visto que a igreja é o reino de Cristo, e ele não reina senão por sua Palavra, continuamos duvidando de que são mentirosas as palavras daqueles que imaginam o reino de Cristo sem o seu cetro, quer dizer, sem a sua santa palavra?”[7]
            Nada é mais importante para a Igreja do que ser governada pela Palavra de Cristo, que é o seu Cetro.  Calvino lutou com todas as suas forças para ser um expositor fiel das Escrituras e reformar a Igreja pela Palavra de Deus e não por estratégias humanas ou misticismos.
            Em toda época surgem os mesmos conceitos errados teologicamente com nomes diferentes. No período da Reforma surgiram os “iluminados”, nome dado por Lutero e Zwickau. Eles defendiam que tinham revelações especiais vindas diretamente de Deus, entendendo terem sido chamados por Deus para “completar a Reforma”. Defendiam uma escatologia completamente distante das Escrituras e combatiam o estudo da teologia como sendo algo contrário a espiritualidade.
            Homens como Lutero e os demais reformadores defendiam “Sola Scriptura”, como sendo a única autoridade infalível dentro da Igreja. [8] Todos os catecismos e confissões reformadas enfatizavam a centralidade e autoridade final das Escrituras para a Igreja de Cristo. Como citamos antes a declaração de Calvino, a Escritura é o cetro de Cristo, pelo qual governa a Igreja.
            Por outro lado, Calvino também declara com relação ao conhecimento das Escrituras:  “Somos seres humanos, e é preciso que observemos sempre as limitações de nosso conhecimento, e não as ultrapassemos, pois tal gesto seria usurpar as prerrogativas divinas.” [9]Algo que nos chama a atenção em Calvino é sua humildade e prudência. Não fazia declarações infundadas biblicamente e nem ousava confiar em sua razão. Sabia que tinha limitações e precisava estudar cada vez mais a Palavra de Deus, submetendo todo o seu conhecimento aos pés de Cristo.
            Quando o autor trata nesse capítulo três sobre a “Fidelidade do ministro” expõe com propriedade o pensamento de Calvino a esse respeito:
“A Palavra de Deus é o conteúdo da mensagem do ministro. Quando ensinamos a Palavra com fidelidade, nada acrescentando ou omitindo, podemos ter a certeza de que nossa mensagem não se distingue da própria Palavra de Deus.”[10]
            Em outro lugar ele cita uma importante perspectiva de William Wileman  com relação a seriedade do ministério pastoral de Calvino: “Como expositor da Escritura, a Palavra de Deus era tão sagrada para ele como se a tivesse ouvido dos lábios de seu Autor.”[11]
            Calvino defendia que todo o oficio do ministro gira em torno da Palavra de Deus. Tudo que um ministro faz, pensa, executa na igreja deve estar envolvida pela Escritura. Como isso é importante para os nossos dias? Precisamos resgatar essas verdades perdidas em tantos púlpitos espalhados pela nossa nação! Calvino afirma que “mestre é aquele que forma e instrui a igreja na Palavra da verdade.” E diz mais o seguinte a esse respeito: “O alvo de um bom mestre deve ser sempre converter os homens do mundo para que voltem seus olhos para o céu.”[12] Não poderíamos deixar de citar mais essa declaração encorajadora e edificante de Calvino: “Nossa maior meta, no entanto, deve consistir em sermos fiéis ministros de Cristo na edificação da igreja, por meio do ensino da Palavra.”[13]
            Essas convicções de Calvino servem como um estímulo para todo ministro reformado a defender com todas as forças a centralidade das Escrituras. Ao mesmo nos envergonha diante de tanta firmeza, piedade e ousadia! O ministério desse reformador era marcado pela centralidade e suficiência das Escrituras.
4.       A Eleição
            O assunto pelo qual Calvino é mais conhecido, citado, criticado, é a da predestinação ou eleição divina. Mas nesse capitulo o Dr. Herminsten trata de uma forma edificante e didática que ajuda bastante o leitor sincero a compreender a visão de Calvino sobre o assunto. Tentaremos citar as principais declarações nesse capítulo e fazer algumas avaliações e compreensões das mesmas.
            O autor cita McGrath que faz o seguinte comentário da posição de Calvino sobre a predestinação:
“A crença na predestinação não é uma questão de fé em si mesma, mas representa o resultado final de uma reflexão, informada pelas Escrituras, a respeito dos efeitos da graça sobre os indivíduos, à luz dos enigmas da experiência. A experiência ensina que Deus não toca todo o coração humano.”[14]
            O que ele mostra é que a própria humanidade testifica que nem todos serão salvos, por uma obviedade, nem todos creem! Embora saibamos que a experiência não existe para interpretar a Bíblia, mas a Bíblia para interpretar a experiência.
O autor em seguida vai trabalhar biblicamente a doutrina da eleição no Antigo Testamento e Novo Testamento. Mostrando as várias escolhas dos homens[15] e determinações de Deus não somente para salvação para funções e execuções.
Depois o autor aborda algumas questões teológicas sobre a eleição. Mostra que Deus não sofre nenhum tipo de constrangimento no exercício da escolha e execução dessa escolha.[16]
Calvino disse: “A eleição tem um sentido escatológico: é da eternidade para a eternidade em santificação, até que nossa salvação seja consumada na glorificação.”[17]  E Bavinck também expressa sobre o assunto: “O propósito da eleição é a criação de um organismo, Isto é, redenção, renovação e glorificação de uma humanidade regenerada que proclame as excelências de Deus e leve seu nome sobre sua testa.”[18] Spurgeon disse: “Desconheço qualquer outra coisa que nos possa humilhar tão profundamente quanto a doutrina bíblica da eleição (...). Aquele que se sente orgulhoso de sua eleição é porque não é um dos eleitos do Senhor.”[19]
5.       A Imagem de Deus no Homem
            Calvino como humanista  teve uma visão moldada pela Escritura, unindo seu conhecimento e formação humanista e interpretando-a pela Palavra de Deus. A Idade Média pretendia ter Deus no Centro; a Renascença o homem no centro; o iluminismo a razão no centro; a pós-modernidade sem centro. A história é marcada de mudanças devido as muitas frustrações da razão humana. Mas em Calvino vemos uma firmeza em entender o devido lugar do homem na criação de Deus.
            A Reforma foi revolucionária porquanto se apartou tanto do Humanismo católico-romano como do secular. Mas adiante Dr. Herminsten cita F. Schaeffer; “Enquanto a Renascença se concentrava no homem em sua autonomia, a Reforma concentrava-se no Deus infinito e pessoal que falava com eles por meio da Bíblia.”[20]
             No pensamento de Calvino, um possível dilema entre o antropocentrismo e o teocentrismo. Entre a natureza do homem e o Deus soberano, temos a Palavra de Deus, concedida por ele, para que o conheçamos e nos conheçamos. Calvino diz: “O mundo foi originalmente criado para este propósito, que todas as partes dele se destinem à felicidade do homem como seu grande objeto.”[21]
            Calvino assim definiu imagem de Deus:
“Havia uma adaptação das várias partes da alma, que correspondia a suas várias funções. Na mente, perfeita inteligência florescia e reinava, retidão assistia como sua parceira, e todos os sentidos eram preparados e moldados para a adequada obediência á razão; no corpo, havia uma adequada correspondência com essa ordem interna (...) Mas aqui a questão é referente àquela glória de Deus que peculiarmente brilha na natureza humana, onde a mente, a vontade e todos os sentidos representam a ordem divina.”[22]
6.      A Espiritualidade de João Calvino
            A piedade de Calvino poderia ser definida assim: “A verdadeira piedade consiste em um zelo puro e verdadeiro que ama a Deus totalmente como Pai, o reverencia verdadeiramente como Senhor, abraça a sua justiça e teme ofendê-lo mais que a própria morte.”[23] Calvino busca conciliar conhecimento com prática. Entendia que conhecer sem tornar isso prático não tinha nenhum sentido cristão.
             Para Calvino meditar nos Salmos era algo extremamente necessário e prazeroso. Ele dizia que os Salmos eram anatomia de todas as partes da alma.[24] Calvino declarava: “Não busquemos nossos próprios interesses, mas antes aquilo que compraz ao Senhor e contribui para promover sua glória.”[25] Ainda afirma sobre a oração: “Devemos manter firme o principio de que não podemos orar a Deus apropriadamente senão formos persuadidos pela certeza de nossos corações de que ele é nosso Pai quando o invocamos como tal.”[26]
            A visão de espiritualidade de Calvino influenciou gerações e ainda influencia. Precisamos mais do que nunca desse alerta de harmonizar conhecimento teológico com vida de oração. É preciso ter culto na vida para quer tenha culto na igreja. Por isso, o presente livro ajuda muito na avaliação da nossa vida diante do Senhor.
7.        O Culto
            “Fomos eleitos por Deus na eternidade para que o adoremos. No culto, a igreja vivencia o propósito de sua eleição: o fim principal do homem é glorificar a Deus. A igreja é a comunidade de adoradores que se congrega para testemunhar publicamente os atos graciosos de Deus.”[27] Assim começa o capítulo sobre culto. Com essa ótica reformada que o autor irá desenvolver sua exposição sobre a visão de Calvino sobre Culto.
            Ele demonstra que o homem perdeu a dimensão do eterno e por isso trilha por atalhos que o máximo que podem fazer é anestesiar a alma. Fomos criados para adorar e gozar o Senhor eternamente! A filosofia, arte, filantropia e religião, são apenas paliativos que servem apenas socialmente e culturalmente, mas não alimentam a alma.[28]
            Culto é serviço prestado a Deus. Este serviço deve ser prestado conforme o Senhor determina em sua Palavra. Neste serviço prestado a Deus os sacramentos; batismo e Ceia, os cânticos espirituais, segundo Calvino devem todos harmonizar-se com as Escrituras, procedendo de corações quebrantados e contritos.
8.       A Reforma e a Educação
            Calvino dispunha de uma visão ampla da cultura, entendendo que Deus é Senhor de todas as coisas. Assim, toda verdade é verdade de Deus. Esta perspectiva ampara-se no conceito da “graça comum” ou “graça geral” de Deus. Portanto, em todas as ciências e artes temos expressões verdadeiras que sendo analisadas pelas Escrituras, podem edificar a nossa vida e serem úteis para o nosso crescimento na fé e compreensão do cosmo.
            Com esta perspectiva, Calvino na sua primeira permanência em Genebra procura melhorar as condições de ensino e posteriormente cria formas gratuitas de ensino para as crianças carentes. Logo, Calvino é o precursor do ensino público.
9.       A ética Social de Calvino
            Calvino afirmou: “Se seguirmos fielmente nosso chamamento divino, receberemos o consolo de saber que não há trabalho insignificante ou nojento que não seja verdadeiramente respeitado e importante ante os olhos de Deus.” [29]Essa declaração resume a visão de Calvino sobre trabalho e ética.
10.   Calvinismo e Ciência
            Calvino era fascinado com as obras das mãos de Deus. Ele entendia que nelas podemos ver aspectos da glória de Deus, como diz o Salmo 19.1, sendo o homem o ponto mais magnífico desta gloria manifestada. Portanto, cabe ao homem apreciar e estudar a natureza, pois nela se reflete a sabedoria divina. Calvino declara: “Se os homens chegassem a um genuíno conhecimento de Deus, pela observação de suas obras, certamente que viriam a conhecer a Deus de forma sábia.”[30]
Conclusão
            Estudar sobre Calvino é desafiador e edificante. Pois se trata de um homem que unia o intelectualismo e a vida de oração e prática. Algo que tanto precisamos em nossos dias. Não basta ter conhecimento teológico, é necessário vive-las nos recônditos da nossa alma. Precisamos transpirar teologia em tudo que fazemos no cotidiano. Calvino nos desafia a viver assim e mostra que é possível marca a história da igreja com uma vida dedicada a glória de Deus.
            Ao terminar a leitura e avaliação desse precioso livro, nos tornamos mais conscientes da grande obra que temos diante de nós, tendo como grande incentivador vidas como a de Calvino, que olhou firmemente para o autor e consumador da nossa fé, Cristo Jesus (Hb. 12.1-3). Devemos lutar para ter uma perspectiva equilibrada pela Escritura como João Calvino teve, abordando todas as áreas da vida e não vivendo enclausurados no templo denominacional. O reino de Deus é muito maior que qualquer denominação e religiosidades, e por que devemos viver pra Ele, por Ele, porque todas as coisas são dEle! A Ele a glória eternamente, amém![31]
Terminaremos com essa feliz e verdadeira declaração: “O verdadeiro discípulo de Calvino só tem um caminho a seguir: não obedecer ao próprio Calvino, mas àquele que era o mestre de Calvino.”[32]



[1] pp.15-25
[2] pp.  21
[3]pp. 22-25
[4] pp. 27-33
[5] pp. 27-33
[6] p.59
[7] p.66
[8] p.70
[9] p. 106
[10] p.110
[11] p.111
[12] p.116
[13] p.119
[14] p.139
[15] p.141
[16] p. 150
[17] p. 163
[18] p.163
[19] p.174
[20] p.201
[21] p.204
[22] p.209
[23] p.227
[24] p.234
[25] p.236
[26] p.242
[27] p.285
[28] p.286
[29] p.350
[30] p. 387
[31] Romanos 11. 33-36
[32] p.399