segunda-feira, 30 de junho de 2014

O DESAFIO DE DISCERNIR O NOSSO TEMPO!



Precisamos fazer uma leitura adequada da nossa época para aplicarmos corretamente a teologia aprendida. A pós-modernidade é neta da renascença e a frustração do idealismo de seu pai, o  “iluminismo”. O último colocava a razão como centro da verdade e proclamava um mundo melhor a partir da razão humana. O gráfico abaixo exemplifica bem essa decadência cultural:
Idade Média
Pretensamente o tempo de Deus
Renascença
Homem no Centro
Iluminismo
Razão no Centro
Pós-modernidade
Sem centro
     
Sobre essa frustração que a pós-modernidade carrega em sua essência, provinda do Iluminismo, é comentada pelo Dr. Leandro Antônio de Lima:
Os modernistas tentavam encontrar algo que pudesse unificar o pensamento. Eles fizeram isso até mesmo tentando inventar novos mitos (com Horheimer e Adorno), como as obras de arte de Picasso, por exemplo, buscavam já numa atitude desesperada de quem percebe que o projeto estava  falhando...Desejava-se algo que devolvesse o absoluto, não no divino, mas no próprio homem, mas não foi possível encontrar. A pós-modernidade desistiu dessa busca e simplesmente aceitou que o absoluto não existe e, para muitos, nem os ideais, mergulhando no existencialismo niilista (do latim “nihil”, isto é “nada”, ou seja, a ideia de que não há sentido transcendente algum para a existência e, por isso, tudo o que resta é viver a vida o melhor possivepossívele preocupar com o depois). Por isso, a apalvra chave da pós-modernidade é anti-homem (embora não anti-humanismo). Curiosamente, este “anti-homem” da pós-modernidade é bem mais “humano” do que o humanismo da modernidade, pois se abre para a realidade, para a efemeridade. E por sua vez pode se abrir para um envolvimento mais sério com a natureza e um respeito até mesmo maior pela vida.[1]
Com respeito ao último ponto, a pós-modernidade, que caracteriza  o nosso tempo, Dr. Hermisten Maia esclarece:
Hoje, não temos mais referências, o homem já não é o centro de todas as coisas, pois já não há mais centro. Estamos “perdidos no espaço”. Sem absolutos, não sabemos ao certo o valor do homem e o seu papel no universo. Sem princípios universais, não existem absolutos; sem estes, tudo é possível.[2]
           
Podemos colocar algumas diferenças práticas entre o iluminismo e a pós-modernidade:
Iluminismo     
Pós-modernidade
Proposito
Diversão
Planejamento
Casualidade
Hierarquia
Anarquia
Centralização
Dispersão
Seleção
Associação
                                
O iluminismo era caracterizado por organização, planejamento, controle e domínio. Sua ruina se deu por causa do próprio homem, não tem como existir harmonia, verdade e justiça, baseado no homem. Já a pós-modernidade é essencialmente imediatista, subjetivista e existencialista em todas as suas esferas. Desprezam o controle, o domínio, o planejamento como alvo existencial, por não existir verdade absoluta, padrão, é melhor deixar as coisas como estão para ver o que vai dar.[3]
Essa relatividade é a marcar maior da pós-modernidade. Contudo, na prática ela é intolerante em relação  a uma visão ortodoxa, firme, convicta de algo. A incoerência é sua característica, afirma não existir verdade absoluta, todavia, afirma verdades absolutas: “Que não existe verdade absoluta!” Tudo o que se opõe a ideia de relativismos é classificado como uma ofensa a paz e harmonia cultural e social. A razão de tal atitude é simples, a pós-modernidade se baseia no subjetivismo, no sentimento e experiência. Logo, quando as bases de uma cultura se baseia em subjetivismo, tudo é relativizado a particularidade de cada indivíduo. Porém, ao mesmo tempo que, é relativizado, é também normatizado a partir do sentimento da maioria, da massa, para que todos vivam dentro de um padrão criado a partir de sentimentos e experiências comuns.
            O pluralismo é uma das mais fortes características da pós-modernidade. A pluralidade de raça, crença, sistemas de valores, línguas, cultura, religião, é absolutamente natural para a humanidade. Por exemplo os EUA, comenta Dr. Carson, é maior nação judaica irlandesa, sueca do mundo; é a segunda maior nação negra e logo se tornará a terceira maior nação hispânica.[4] É uma torre de babel! Quanto a questão de pluralidade americana, que representa a diversidade mundial, não é nada ruim em si mesmo e nem bom em si, mas natural para o contexto histórico americano. Por outro lado, existe uma pluralidade incentivada, onde a sociedade apoia e incentiva a pluralidade para uma convivência “melhor” sem muitos conflitos ideológicos. Nesse caso a pluralidade incentivada é um valor em si mesmo, a mudança é tornar-se essencial para o homem moderno. Por trás de toda essa luta por pluralidade e mudanças constantes, o foco principal é a religião. Por quê? Porque a discussão toda gira em torno da autoridade, de moralidade, da verdade, do bem, do mal, da revelação e assim por diante. [5]
            O Dr. Carson expõe com clareza a pluralidade mais perigosa para a saúde da igreja, que é a pluralidade filosófica ou hermenêutica. Esse pluralismo não aceita que alguma verdade, ideologia ou religião esteja acima de outra. O único credo absoluto é o credo do pluralismo. É um espirito de desconstrução cultural. Essa nova hermenêutica pluralista não usa recursos objetivos para interpretação, mas apenas instrumentos subjetivos, logo, toda a interpretação, tratando-se da Bíblia, é relativizada pelo subjetivismo. A hermenêutica conservadora pertence à era “moderna” em que a ciência, a erudição e o estudo sério eram o pensamento capaz de resolver a maioria dos problemas, de responder à maioria das perguntas e de entender toda a realidade. A hermenêutica radical, em contraposição, reconhece a subjetividade da interpretação e o quanto ela é modelada pelas culturas e subculturas a que o interprete pertence, esclarece Dr. Carson.[6]
            Resumindo, a pós-modernidade é a cultura da diversidade incentivada e imposta culturalmente. É escravizada pelo coração enganoso, pelo subjetivismo, ancorada em um porto que não é seguro, que é instável e mutável o tempo todo. É a desconstrução de tudo que é antigo, passado, e a construção disfarçada de um novo tempo sem eixo, sem rumo, aliás, o rumo e o eixo continua sendo o homem, mas não tendo como eixo o soberano Deus e sua Palavra! Somente uma razão e coração regenerados pelo Espírito Santo podem entender que a vida sem Deus é uma vida sem eixo, sem rumo, sem graça! O pior de tudo é que muitos vão descobrir que viver para essa vida é correr atrás do vento, somente no dia do juízo!

Reverendo Márcio Willian Chaveiro




[1] LIMA, Leandro Antônio de Lima, O Futuro do Calvinismo, Editora Cultura Cristã, 2010, pp.90-91
[2] MAIA, passim.  p. 200
[3] MCGRATH, 2005, passim. p.151
[4] CARSON, D. A. Carson, O Deus Amordaçado o Cristianismo Confronta o Pluralismo, Editora SHEDD, 2013, p. 13.
[5] CARSON, D. A. Carson, pp. 18-19
[6] Ibid, p. 19

2 comentários:

  1. Essa época da pós-modernidade é o tempo da confusão, contradição e perversão. Todo o relativismo é uma ponte direta para a perversão completa dos códigos morais e sistemas de valores. Essas filosofias modernas se autocontradizem prometendo liberdade mas negando o ser humano como indivíduo e confusão porque se esforçam para rechaçar um passado construído a muito custo em nome de futuro hipotético.

    Muito bom o texto reverendo. Convido a conhecer e também seguir o meu blog, espero que goste!

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